sábado, 18 de dezembro de 2010

Lembrai-vos da Guerra

Poema- Lembrai-vos da Guerra! 

Imensa formação de brancas cruzes,
Desfile mortuário de fantasmas,
Exótico mercado de miasmas,
Exposição de ossadas e de urzes…Calado e mudo queda-se o canhão,
Apenas trevas cobrem a amplidão,
Que outrora foi um campo batalha…
Calada e muda queda-se a metralha,
É morta na garganta a voz do obus,
O sabre traiçoeiro não reluz
Dilacerando, ensangüentado a terra…
A paz voltou, é terminada a guerra.Os heróis tombaram das alturas,
Os covardes e os bravos olvidados,
Seus feitos aos livros relegados,
Nada mais resta, apenas sepulturas.E eu? Quem sou? Perguntam eu quem sou?
Pois bem, eu lhes direi: sou um soldado,
Igual a qualquer outro
que avançou, combateu, foi derrubado.Cruzes iguais… Terrivelmente iguais…
Exército que cresce mais e mais,
No festim diabólico da morte.
Aqui jaz o covarde. Ali o forte.
Aqui dorme um estranho. Ali estou eu…
Mas ninguém sabe como ele morreu…
Não se lembram do campo de batalha,
Nunca ouviram o riso da metralha…
Não sentiram tremer o corpo inteiro
Ante o rugido brutal de um morteiro…
Não viram a cor dos olhos do inimigo.
Não sentiram o medo do perigo,
Que vos faz desejar a morte breve.
Nunca sonharam. Nunca, nem de leve.Mas…Nem todos se esqueceram do soldado
Que está longe, bem longe sepultado…Mamãe, minha boa mãe, se tu soubesses
Que tua imagem adornei com flores,
Que tuas flores foram minhas preces,
Preces colhidas no jardim das dores…Minha querida mãe, se te contasse
O medo que senti sem teu carinho,
Um medo horrível de morrer sozinho.
Medo mesmo que o medo me matasse…
Mas deixei meu abrigo e avancei
Julgando ver a morte a cada passo
Ao ouvir o sibilar de um estilhaço…
Parei… Pensei em ti… Continuei…Minha querida mãe se te dissesse
Que quando derrubou-me uma granada
Atirando-me na terra enlameada,
Foi por ti que chamei desesperado.
Por um momento deixei de ser soldado
E fui novamente uma criança
Sentindo na morte a esperança
De ainda adormecer no teu regaço.
Mamãe. Matou-me um estilhaço…Minha querida noiva, por que choras?
Relembras por certo as boas horas
Que passamos juntos. Só nós dois…
Íamos casar. Lembra-te ? E depois…
E depois uma casa retirada.
Cortinas nas janelas enfeitadas,
Tu me esperando… eu vindo do quartel…
A nossa casa um pequenino céu,
Aberto a vinda de um herdeiro…Meu sonho, meu sonho derradeiro,
Foi de beijar-te antes de morrer.
Mas ao golpe frio da granada,
Beijei apenas a terra ensangüentada.Mamãe, minha noiva, aqui se encerra
Uma história de sangue, esta é a guerra.
Não chorem. Tudo é terminado
Rápido como coisa de soldado…Mas mamãe…Se novamente a pobre humanidade
Mais uma vez em busca da verdade
Rufar seus tambores sobre a Terra
Anunciando mais sangue e outra guerra,
Se outro filho a Pátria te exigir,
Sem lágrimas mamãe, deixe-o ir…
Embora te destrua o coração,
Ainda que te alquebre a agonia
Faça-me um favor mamãe,
Peça a esse irmão,
Para que seja também da INFANTARIA !



Poema muito bonito e vibrante. Existem várias versões dele sendo declamado com o acompanhamento de vídeos , todos muito bem feitos^^ 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

ELD---Final

Como sempre, chegou a noite de quinta feira e, com ela, o final do exercício. Após 4 dias de atividades intensas, sob condições adversas de privação de sono e cansaço, todos chegávamos juntos ao fim da jornada. A manutenção sem fim dos fuzis acabou, e logo nos preparávamos para bivacar. Isso queria dizer que iríamos estender o isolante térmico no chão, colocar o saco de dormir por cima e dormir tranquilamente. Fomos liberados à 00:30 e fomos acordados às 2 da manhã. Meu grupamento e mais um iriam na frente, balizando o percurso de aproximadamente 16 km para o restante da formação. Assim, no meio da noite começava a marcha que marcou o final do campo.

anda, anda, anda, anda.....anda mais ainda. Não acaba, não para. Melhor coisa a fazer é parar de pensar um pouco e continuar andando.

Após algumas horas, conseguimos enxergar a bandeira da torre. Esse é um daqueles momentos em que a gente até se emociona. Depois de entrar na escola, ficamos todos abostados no mesmo pátio de onde, 5 dias atrás, estávamos partindo. Nesses momentos é que se consegue ver as voltas e voltas que o mundo dá (e que ele continua dando). Tomamos café junto com os companheiros que tinham ido no primeiro turno. Depois do café, entramos em forma para a cerimônia de chegada do campo. marcha no PAN, ouve o pessoal falar, faz a Oração do Paraquedista. Nesse momento algumas lágrimas escapam, ao lembrar de outras voltas que o mundo deu.

Tudo acabado, rápido como coisa de soldado. Fomos mandados para as companhias, para uma manutenção interminável do fuzil e depois sermos todos liberados. Ao final desse dia, chegando em casa, me dei conta da verdade de uma frase dita pelo tenente durante a adaptação:
"O melhor pagamento é a sensação do dever cumprido"

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

ELD---------a partida

Acordei apreensivo. Afinal, chegou a hora de ir pela primeira vez para o terreno. A ansiedade tomava conta de todos os alunos que estavam indo para o segundo turno do campo da prep. Havia rumores de que alguns aspirantes(cadetes do 4° ano da AMAN) apoiariam o nosso campo, avaliando nosso desempenho nas pistas. Desci, já mochilado e capacetado e fui tomar o café da manhã. As 6 viaturas 5 ton que estavam no pátio do rancho anunciavam a partida para a Coudelaria de Campinas, onde teria lugar o nosso campo. Depois do café, passamos na reserva e pegamos os fuzis. Tudo correndo, quicando, berrando e com canções vibrantes. Após isso começou a diversão.

Aprendemos que havia 2 tipos de aprestamento. No tipo 1 apenas desmontávamos o fuzil. Simples, já que o tempo pra isso era de 1'. O tipo 2 é que é o inferno. Nele o aluno desmonta a sua mochila, TIRA TUDÃO de dentro dela E desmonta o fuzil.

Após vários aprestamentos de vários tipos, fomos conduzidos para as viaturas. Correndo, vibrando, felizes pela chegada do campo e curiosos pra ver como era.
Partíamos rumo ao grande desafio do ano.

Formação: Ensino profissional -ou- Coisas de milico^^

Durante o ano de preparação, os alunos da prep entram em contato ocm a atividade militar de duas formas: visitando batalhões do exército (mais raro) ou durante os dias verdes, que acontecem semanalmente. Durante esses dias os alunos se sentem como se tropa fosse. Nesses dias acontecem as situações mais mirabolantes da formação.....


De ficar molhado até a alma a almoçar de joelho, tudo pode acontecer durante as instruções práticas, uma vez que "o que acontece no terreno, fica no terreno". Isso quer dizer que se as cagadas que você faz durante um dia desses (desde que não sejam cagadas MUITO monstruosas) são "pagas" durante os (raros) intervalos que acontecem entre as instruções.

Exemplo bem válido: Durante uma dessas instruções, alguns alunos não tiveram desempenho mínimo no chamado tiro instintivo. Antes de almoçar, esses alunos ficaram dando voltas (e voltas e mais voltas e mais voltas e voltas até o talo e mais 30 voltas) em torno de 2 pitocos de cimento. Certamente todos eles aprenderam a se concentrar durante as instruções.
Isso tudo faz parte do aprendizado profissional. Afinal, isso aqui forma futuros combatentes que, se errarem, levarão no mínimo 30 homens para a morte.